Artigo Andre Santos

Artigo de opinião de André Santos publicado no Dinheiro Vivo

O artigo "O low-code no mundo dos negócios", é de autoria do Business Analyst da Decode André Santos. Foi publicado primeiramente no Dinheiro Vivo. Leia de em seguida.

O low-code é uma abordagem de desenvolvimento de software que possibilita entregar aplicações mais rapidamente através da modelação visual e de uma interface gráfica de “drag-and-drop” e não através de extensas linhas de código. Permite a reutilização deste, de forma segura e escalável. É compatível com vários dispositivos, sejam eles um computador, tablet ou smartphone. Mas quais os seus efeitos numa perspetiva de negócio?

Uma plataforma de  low-code permite trazer valor para o negócio mais rapidamente, ao definir o Minimum Viable Product (MVP) de um produto de forma célere, sendo possível perceber se o cliente vai ficar satisfeito com a aplicação em pouco tempo e que alterações cruciais serão necessárias ter de ser efetuadas. Tudo isto, com baixos custos. Este tipo de plataforma torna-se numa ferramenta bastante útil, no meu entender, para qualquer start-up que pretenda validar rapidamente a sua ideia de negócio.

O low-code também permite gerar valor a nível interno para uma empresa ao agilizar e padronizar os processos do dia-a-dia dos seus departamentos, através do desenvolvimento de aplicações úteis para os mesmos, realizadas por profissionais das próprias equipas que não têm conhecimentos aprofundados de programação. Por isso, as aplicações simples e relacionadas com um problema em específico de uma área de negócio poderão ser desenvolvidas por pessoas desta mesma área com recurso ao low-code e que lhes permitem aumentar a sua produtividade ao automatizarem o seu dia-a-dia, digitalizando assim os seus processos de negócio.

As plataformas de low-code possibilitam por isso, abrir o leque da programação não só aos programadores, mas também aos outros profissionais que nunca tiveram qualquer contacto com a mesma ou cujo conhecimento é muito limitado. Somando a isto, o facto de existir uma escassez de profissionais no mercado da área de TI e a procura das empresas do setor por novos quadros ser muito intensa, leva a que as plataformas de low-code constituam a oportunidade perfeita para aumentar a empregabilidade no setor. A aprendizagem destas é fácil, por parte de pessoas sem conhecimentos de programação ou com as limitações em programar. É, portanto, uma situação em que todos os envolvidos saem a ganhar. As pessoas porque arranjam emprego e as empresas porque vêem as suas vagas serem preenchidas. É de especial relevância no contexto atual de pandemia, que deu origem a um aumento do desemprego a nível global e estagnou as mais variadas áreas do mercado de trabalho.


As plataformas de low-code têm o seu futuro assegurado?

O low-code permite, assim, a realização mais rápida de software sendo pouca a necessidade de desenvolver código, dependendo da especificidade da solução pretendida. Será mínima, quando comparada com a complexidade das linhas e linhas de programação utilizada por outros profissionais que não recorrem a estas plataformas. Tal leva a um aumento de produtividade no desenvolvimento, diminuindo assim o tempo que um produto demora até estar disponível a ser lançado no mercado (Time to Market) Automatiza também os processos de negócios das empresas e acelera a sua transformação digital.

Na minha opinião, sem dúvida que as plataformas de low-code que têm vindo a ganhar o seu espaço na programação, vão ganhar cada vez mais preponderância nos próximos anos. Vão ser importantes no futuro, ainda para mais num mercado muito competitivo como o das empresas de TI, em que os seus clientes necessitam de ter os produtos desenvolvidos para “ontem” e prontos a serem utilizados com as características que pretendem. Sendo um ótimo complemento para os programadores, as plataformas de low-code conseguem agilizar e acelerar o desenvolvimento de aplicações, permitindo desenvolvê-las numa questão de poucos meses e não ao fim de quase um ano ou até mais. Afinal de contas, não é por acaso que as grandes multinacionais tecnológicas como a Amazon, Microsoft, Salesforce, a portuguesa OutSystems, entre outras, criaram e têm investido nas suas próprias soluções de low-code.